Viajando de carro com bebê

viajando de carro com bebe
Foram três dias, dois mil quilômetros rodados e cinco estados viajando de carro com bebê.
Saímos de Marabá, no Pará, onde passamos férias de fim de ano com a família, rumo a João Pessoa, na Paraíba, onde moramos agora.
Na ida eu fui de avião com Aimée e após três conexões e sete horas de viagem eu estava destruída. Meu braço esquerdo ficou dormente por ter de carregá-la por horas a fio, sem pausa nem revesamento. E para completar eu passei o pior perrengue da vida tentando acalmá-la no último voo, sem poder me movimentar direito no espaço exíguo das poltronas, amarrada naquele cinto que eu nunca tinha percebido como era apertado.
Mas viajar de carro também tem seus perrengues. Por um lado, é mais divertido e até mais confortável e se você não estiver com pressa dá para ir curtindo tudo: as paisagens, as paradas nos restaurantes locais e até alguns pontos turísticos. Por outro lado, são horas demais na estrada, o que acaba interferindo de alguma forma no fator conforto e diversão.
A verdade é que viajar com bebê é tenso, seja qual for o meio escolhido. Em alguns momentos a sensação é de segurar uma bomba relógio. A gente sabe quando a cria está perto de entrar no efeito vulcão e aí começa a temporada de alternativas para segurar a onda até que ela finalmente consiga pegar no sono, recuperar as energias e dar uma trégua na gente.
Mas, no final das contas, cumprimos a missão de voltar para casa de carro e curtimos a viagem. Temos fotos lindas e umas boas histórias. É aquele tipo de coisa que vale a pena lembrar e contar: nós vivemos isso. São nossos momentos mais preciosos e eu me orgulho disso.
Provavelmente não faremos outra tão longa assim com Aimée bebezinha, mas deixo aqui algumas dicas de como aproveitar esse tipo de jornada sem grandes tormentos.

Sabe quando a gente come de tédio? Descobrimos que comer é uma distração em viagens não só para nós, mas para os bebês também. Pelo menos para a minha bebê taurina (hahaha). Ela ama frutas e na hora do estresse oferecer uma era uma salvação! Aqui a dica é levar o que o bebê mais gosta de comer.

viajando de carro com bebe

COMENDO PÊSSEGO
 

Bebê precisa ficar no chão para gastar as energias. Quando fizemos essa viagem, Aimée estava aprendendo a engatinhar e queria ficar treinando o tempo todo. Por isso levamos o tapete emborrachado que usamos em casa e em cada parada mais longa ela podia ficar livre brincando.  Como era o que já tínhamos, foi o que usamos, mas um tapete que não precisa ser montado teria sido mais prático. Essa dica ótima eu tirei do blog Ideias na Mala [você pode ver o texto completo aqui].

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PILATEIRA
 

Bebê que está aprendendo a engatinhar, ficar em pé, andar, não quer passar horas preso numa cadeirinha. Vamos combinar que ali não tem muito espaço para se movimentar (é tipo o conjunto poltrona e cinto do avião), então convém ter coisas legais para distrair o bebê e fazê-lo esquecer de estar preso. Os brinquedos devem estar acessíveis em uma sacola ou bolsa. É legal levar os preferidos, aqueles que sempre encantam a criança, mas também algumas novidades, que vão deixá-la curiosa e entretida por um bom tempo, explorando o objeto.

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ELA PREFERE LIVROS E GARRAFAS DE ÁGUA MINERAL (HAHAHA)

As paradas devem ser bem estratégicas. Pare para esticar as pernas, comer e ir ao banheiro quando o bebê estiver entediado ou estressado, evite parar quando o bebê estiver tranquilo e brincando e coloque sebo nas canelas quando a criaturinha estiver dormindo, esse momento é precioso (até o carro corre melhor!). Aproveite para dar um banho no bebê em uma parada mais longa, ajuda a refrescar e acalmar.

viajando de carro com bebe

ACREDITE, ELA ADORA TOMAR BANHO
 
Vamos pagar um pouco a língua. Não pode dar tudo o que o bebê quer, né? Mas às vezes, quando estamos com o Vesúvio em plena erupção (hahaha), é preciso fazer algumas concessões. Sim, se for o caso, deixe o bebê brincar com o controle do som ou dormir mordendo a tela de proteção do sol .

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ELA FEZ ISSO

 

Sabe aquele mantra “vai passar”? Pois bem, tenha calma e mantenha o bom humor nas horas trash. Se você escolheu viajar de carro, saiba que elas vão acontecer todos os dias. Não se desespere achando que o estresse e o choro não vão passar nunca, porque eles vão. Bebês precisam se alimentar, brincar e dormir, portanto sempre confira se algum desses “itens” está em falta. Se for preciso parar, pare. Uma boa dica: música pode ajudar a acalmar, distrair e induzir o sono.

viajando de carro com bebe
LENDO LIVRO COM MUDANÇA DE ENTONAÇÃO E TUDO
 
Você decidiu fazer essa viagem por algum motivo, então relaxa e curte o máximo que puder. É um momento incrível para a família e é recompensador rever os melhores momentos nas fotografias, nos vídeos e relembrando histórias engraçadas (e até tensas), sabendo que tudo que a gente viveu, a gente só viveu porque estava ali!
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MINHA FOTO DE BLOGUEIRINHA
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EU, QUE DEVO SER A ÚNICA PESSOA DO MUNDO QUE NÃO GOSTA DE ÓCULOS ESCUROS COM SOL MUITO FORTE
sertao
AS PAISAGENS SÃO A MELHOR PARTE

doce beira seca

NA VERDADE, AS PAISAGENS SÓ PERDEM PARA AS COMIDAS TÍPICAS: BEIRA-SECA, UM DOCE IMPRESSIONANTE

sertao

ESTRADAS SÃO MINHA PAIXÃO <3

sertao

PAISAGENS NORDESTINAS

gado

“A TEMPESTADE, A MANADA E NÓS, NA CONTRAMÃO DE TUDO…”

 

O fenômeno Baby Brain e nossa natureza sábia

baby brain
Li apenas um livro em nove meses de gestação e foi com um certo esforço. Eu, tão mental, racional, mente incansável, tive o primeiro sinal de gravidez enquanto lia, ou tentava ler um livro. À vista das páginas, eu nauseava, o cheiro do papel embrulhava o estômago. Enquanto tudo em mim se transformava e a barriga crescia, mal li e mal escrevi.

Como foi difícil para mim ficar longe do meu reduto, meu quarto com meus livros, minha mesa, meus cadernos. Além da náusea com o cheiro do papel e da visão das letras impressas ou na tela do computador, comecei a sentir uma irritação muito grande em ter que pensar, raciocinar, refletir. Nesse período eu fui toda corpo físico, material e instinto.

A gestação é de um imenso e quase invisível esforço. A barriga cresce e toda a engrenagem por trás disso, toda a atividade exigida para formar um novo ser, tão complexo e completo, funciona sem que a gente veja, mas o corpo exige e a gente sente. O enjoo é só um dos sintomas. O que de mais impressionante eu senti, diria até de mais bonito, foi a necessidade de aterrar, de estar presente aqui e agora.

Na gestação e sobretudo no parto, é impossível prescindir das sensações do corpo. E a sabedoria animal, instintiva, física, primitiva, por vezes sufocada numa sociedade em que a tendência é dissociar-se da própria natureza, torna-se primordial. Mas é especialmente quando o bebê nasce que precisamos dessa sabedoria.

A dificuldade em concentrar-se, a “perda” da memória e o fastio intelectual são, segundo a teoria do Baby Brain, respostas evolutivas do cérebro para garantir a sobrevivência do novo serzinho por quem temos total responsabilidade. As pesquisas sugerem que durante o período em que ocorre o fenômeno há um aumento de atividade cerebral nas áreas do cérebro ligadas às habilidades emocionais e uma diminuição na área relacionada às respostas racionais.

Com todos os nossos sentidos voltados para o bebê, nos conectamos mais fácil e rapidamente com ele, tornando-nos mais capazes de reconhecer  os significados das expressões faciais, dos vários tipos de choro e dos movimentos do seu corpinho, de modo a atender correta e prontamente às suas necessidades, diferenciando fome, dor, aconchego.

Compreender e aceitar a nova condição, buscando adaptar o que for necessário na rotina para lidar com lapsos de memória ou mesmo abrindo mão de atividades intelectuais por um tempo, é a melhor forma de lidar com essas mudanças tão importantes quanto temporárias.

Cerca de quinze dias após o parto, senti uma enorme vontade de ler e passei várias das longas horas de amamentação em leitura. E ainda lembro bem da sensação de já conhecer minha bebê quando a vi pela primeira vez e de sentir um vínculo muito forte. Foi a primeira vez em que percebi conscientemente o sábio movimento da natureza.