A louca da Casa – Rosa Montero

Rosa Montero [fotografia: Ivan Gimenez]

A louca da casa é como Santa Teresa chamava a imaginação. Esse é o tema principal da obra da escritora espanhola Rosa Montero: aquela parte essencial de todos os seres humanos e que impele romancistas e narradores a escrever, aquela que vai além da razão e da realidade imediata e existe em uma zona limítrofe com a loucura.

A obra é uma espécie de ensaio sobre o exercício narrativo, com um pouco de autobiografia, trechos da biografia de outros autores e um estilo que lembra um romance. O livro é dividido em dezenove capítulos e em cada um vamos descobrindo uma ideia central. Em um deles, por exemplo, ela trata de uma questão que sempre vem à tona quando mulheres escrevem: existe uma literatura feminina?

Para responder a essa pergunta, Rosa Montero, que se considera feminista – embora acredite que o termo anti-sexista seja mais coerente do ponto de vista semântico – explica que dentro de uma sociedade urbana ocidental é bem provável que homens e mulheres tenham mais em comum entre si do que pessoas do mesmo gênero de culturas ou estilos de vida muito distintos. Isso quer dizer que uma escritora espanhola que nasceu e viveu em grandes cidades possivelmente se identifica mais com um colega homem desse mesmo meio urbano do que com alguém que tem raízes e construiu sua identidade no campo.

Em suma, há uma literatura feita por mulheres, o que é muito diferente de dizer que existe uma literatura feminina, ou seja, acreditar que aquilo que as mulheres escrevem só serve para ser lido pelo próprio gênero. Embora a literatura feita por mulheres seja importante para a representatividade, ela pode e deve ser lida por todos os gêneros. Não obstante, durante séculos a mulher leu e se identificou com protagonistas homens e com personagens femininas construídas pela perspectiva do homem, muitas vezes adotando comportamentos que eles consideravam importantes, mesmo que fossem muito mais benéficos para o ego masculino do que para a dignidade feminina. É de Rosa Montero a famosa frase que diz:

“Quando uma mulher escreve um romance protagonizado por uma mulher, todo mundo considera que está falando das mulheres, mas se um homem escreve um romance protagonizado por um homem, todo mundo considera que está falando do gênero humano”.

Em um outro capítulo, Rosa Montero fala de uma categoria que teve um papel essencial no mundo literário – na verdade, a autora garante que ela ainda existe. São as “esposas de escritores”, mulheres sem dúvida excepcionais, inteligentes e talentosas que, no entanto, abriram mão de seus próprios talentos para cuidar de tudo que diz respeito à obra de seu “Grande Homem”. Isso inclui todas as miudezas que fariam o escritor perder seu precioso tempo criativo: revisar textos e passá-los a limpo, cuidar das finanças, dos contratos, das edições, das traduções, da cobrança de pagamentos, das viagens, das relações públicas, além, obviamente, da casa e dos filhos. E como se isso não fosse o bastante, essas mulheres ofereceram conselhos literários que se mostraram fundamentais para o sucesso de inúmeras obras, como por exemplo, O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson.

Um aspecto interessante de Rosa Montero é que ela desmonta a aura mítica que cerca os escritores e os traz para uma luz mais humana. Assim, ela apresenta a história de Goethe, que na ânsia de fazer parte da aristocracia foi viver na corte de Weimar, como intelectual à serviço, após escrever seu célebre Os sofrimentos do jovem Werther. Seus trabalhos oficiais incluíram desde ser ministro da Fazenda até o trabalho de inspetor de minas. Tais ocupações garantiram-lhe um título nobiliário, mas sacrificaram seu talento e ele próprio escreveu que deixou de pertencer a si mesmo a partir do momento em que chegou na corte. 

“O grande Wolfgang era um pobre puxa-saco, um infeliz que desde o primeiro momento começou a largar os envoltórios da própria dignidade em sua árdua ascensão pela escala social. Os seres humanos são criaturas tão paradoxais que a fraqueza mais tola e vulgar pode coexistir ao lado do talento mais sublime”.

É verdade que todos que escrevem, escrevem primeiro para si, movidos por suas intranquilidades e incertezas e porque não suportam a vida tal como ela é. Mas em algum momento sentem que precisam de mais do que isso: precisam ser lidos. Ninguém sabe de onde vem essa necessidade do olhar alheio, mas certo reconhecimento público é crucial não só para que escritores continuem escrevendo, mas também para que continuem sendo. 

Para Rosa Montero, que além de Jornalismo também estudou Psicologia, o escritor é alguém que, mais do que os outros, tende à dissociação, aquela condição psicológica que leva as pessoas a sentirem distanciamento do mundo, como se ele fosse impalpável ou irreal.

“O romancista é um ser que tem as costuras de sua identidade meio soltas e tende a se sentir dissociado”.

O que é, provavelmente, uma das razões que levam o narrador a ter facilidade em escrever sobre outras vidas, mas que os tornam mais suscetíveis a colapsos emocionais, à loucura e à decadência, especialmente diante da fama ou do fracasso. Por outro lado, a linguagem, a escrita, a narração, são também formas de transcender a individualidade.

“Isto é a escrita: o esforço de transcender a individualidade e a miséria humana, a ânsia de nos unir aos outros num todo, o desejo de sobrepor-nos à escuridão, à dor, ao caos e à morte”.

E por isso a escrita é um instrumento coletivo poderoso, mas que pode ser destrutivo. Rosa Montero diz que “a palavra é o que nos torna humanos” e que “para assassinar em massa, é preciso primeiro despojar as vítimas em massa de sua condição humana”. Foi um dos motivos pelos quais o nazismo conseguiu chegar tão longe. Ela cita o caso do linguista judeu Victor Klemperer, que passou mais de uma década em trabalhos forçados na Alemanha e com o fim da guerra escreveu a obra LTI: A linguagem do Terceiro Reich, em que desmonta a “linguagem do vencedor” e denuncia “a hipocrisia afetiva do nazismo, o pecado mortal da mentira consciente empenhada em transferir para o âmbito dos sentimentos as coisas subordinadas à razão, o pecado mortal de arrastar essas coisas pela lama da pertubação sentimental.” E Rosa Montero conclui:

“…as palavras, quando mentem lambuzadas de sentimentalismo, podem ser letais como balas de um assassino”. 

Os discursos nazistas, como se sabe, foram cruciais para que todas as atrocidades que culminaram no holocausto pudessem ocorrer com grande apoio da população alemã, que depois se viu envergonhada e como que saindo de um sonho absurdo. O que se vê hoje na política brasileira também pode ser colocado no rol das situações em que as palavras mentirosas, lambuzadas de sentimentalismo, despojam e dominam as massas.

A louca da casa propõe a discussão de temas tão complexos, tais como a linguagem e o ofício da narrativa, de uma maneira leve e despretensiosa, sem deixar de ser crítica. É uma obra excelente não só para pessoas que escrevem e sonham em tornar-se escritoras, mas também para aquelas que adoram o universo da literatura e das palavras.

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Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Barra do Cunhaú

estrada das falésias rio grande do norte

Na nossa primeira viagem ao Rio Grande do Norte visitamos Pipa, a praia de Tibau do Sul e a Lagoa de Guaraíras. Por último, pegamos a Estrada das Falésias para ir até a Barra do Cunhaú, no município de Canguaretama, a 78 km de Natal. 

Apesar de ser um atalho para chegar muito mais rápido à Barra do Cunhaú, saindo de Pipa, do que se pegássemos a rodovia, a Estrada das Falésias não é apenas isso: trata-se de uma atração por si só. 

Mesmo que fosse mais longo, a vista impressionante para as praias com mar de verde intenso durante todo o trajeto já faria valer a pena a escolha por esse caminho. No entanto, além da paisagem ainda há mirantes onde é possível observar tartarugas marinhas.

É preciso ter coragem e certa habilidade para encarar essa estrada. Ela é de terra, sofre com a erosão, não tem sinalização e possui riscos especialmente nas áreas com acúmulo de areia. Alguns trechos são muito estreitos entre as falésias e o abismo e algumas subidas, igualmente estreitas, também juntam areia e fazem o carro deslizar. Mas, uma vez que você a enfrenta, a recompensa é garantida.

estrada das falésias rio grande do norte

estrada das falésias rio grande do norte

Para chegar até a Barra do Cunhaú vindo da Estrada das Falésias é preciso fazer a travessia do rio Catu pela balsa manual de Sibaúma. A extensão é curtíssima e a paisagem é linda.

balsa de sibauma

Apesar de ficar muito perto de Pipa, a Barra do Cunhaú é totalmente alheia à efusividade turística vizinha. O lugar tem o ar antigo e nostálgico de vila de pescadores e as praias não lotam de turistas. Para quem gosta de tranquilidade e não se preocupa com a rusticidade – ou até a prefira -, é a escolha perfeita.

Em quase todo o litoral nordestino o sol se põe cedo, então, chegar às 16 horas num lugar pode significar pegar apenas uma réstia de luz. Foi o que nos aconteceu, por isso passamos primeiro um fim de tarde na praia e, como ficamos encantados com o lugar, voltamos para poder aproveitar um dia inteiro lá. 

barra do cunhau rio grande do norte

No nosso dia dedicado à Cunhaú, tivemos sol, chuva e uma comida maravilhosa no restaurante Barraca da Baiana, em frente ao mar. Escolhemos ficar em uma pequena enseada da praia, onde a água entra por cima das pedras conforme a maré vai enchendo e forma uma piscina natural ótima para um banho bem tranquilo. 

barra do cunhau rio grande do norte

barra do cunhau rio grande do norte

Da Barra do Cunhaú saem barcos que fazem passeios com paradas em outras praias. Da orla vemos uma delas, a Praia da Restinga, de onde é possível ir até a Baía Formosa por uma estrada de terra. Dizem valer muito a pena a visita, mas nós não pudemos fazer essa viagem. 

Por outro lado, tivemos um final de tarde bem gostoso por ali mesmo, conversando com um morador sobre Sibaúma, comunidade quilombola de mais de 400 anos, separada da Barra do Cunhaú pelo rio Catu, onde fizemos a travessia de balsa. 

Ainda ficamos vendo os barquinhos e fomos contagiados pela nostalgia e história da região, cada vez mais certos de que devíamos voltar. Fazendo planos para isso, pegamos a estrada de volta para casa.

barra do cunhau rio grande do norte

barra do cunhau rio grande do norte

 

barra do cunhau rio grande do norte barra do cunhau rio grande do norte

 

 Fotografia: Alexandra Duarte e Evandro Medeiros

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Se você curtiu conhecer um pouco das belezas de Barra do Cunhaú, veja também as duas primeiras partes da nossa viagem ao Rio Grande do Norte:

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Pipa

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Praia de Tibau do Sul e Lagoa de Guaraíras

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Praia de Tibau do Sul e Lagoa de Guaraíras

Depois de passar uns dias no distrito de Pipa, seguimos na direção norte do estado, para Tibau do Sul. Lá, na praia de mesmo nome, a Lagoa de Guaraíras encontra o mar, formando não só uma paisagem linda, mas com uma história bem interessante.

Guaraíras, na verdade, é uma laguna, uma vez que lagoas não têm contato com o mar. Acontece que há registros de que ela já foi mesmo uma lagoa e desde que Tibau começou a ser registrado em mapas, no século XVI, mais de uma vez mudou de forma. Em uma delas, holandeses tinham feito um canal para a passagem de grandes embarcações, que ficou esquecido depois da retomada do lugar pelos portugueses, e foi bloqueado por dunas de areia por quase 300 anos.

A última vez em que Guaraíras se abriu para o oceano foi em 1924, depois de uma cheia terrível que destruiu o povoado de Tibau. Novamente, a ação humana foi determinante. Para drenar a água de canaviais alagados, senhores de engenho começaram, um ano antes da enchente, a abertura de um canal, que não resistiu à força das chuvas e rompeu, dando à lagoa o aspecto que tem hoje. [Veja mais sobre essa história aqui.]

Apesar de aparecer como laguna em trabalhos acadêmicos e sites de viagem estrangeiros, a forma mais comumente usada pela população local é lagoa, por isso é esse o termo que uso aqui.

lagoa de guaraíras tibau do sul

A principal atração de Tibau do Sul é justamente o passeio de barco na Lagoa de Guaraíras, cujo roteiro inclui parada para ver golfinhos, banho de lama no manguezal e descida em um banco de areia que emerge das águas quando a maré baixa. À propósito, existem horários específicos para fazer essa viagem, por isso nós fomos primeiro para ela, ao invés de ir direto para a praia.

Esse é um passeio relativamente tranquilo de ser feito com bebês, a não ser pelos seguintes motivos : 1) Eles podem sentir medo. Aimée ficou assustada assim que entramos na lancha e grudou em mim durante todo o passeio. 2) Havia coletes salva-vidas, mas nenhum para alguém de 1 ano e 3 meses. 3) Depois de ter sido muito rápido em nos oferecer o passeio, o funcionário da empresa que oferece a programação recuou quando viu Aimée e disse que a Marinha proibia viagens de crianças menores de 2 anos pela costa.

Não encontrei nenhum regulamento ou legislação a respeito disso, mas é óbvio que as empresas têm receio de, em caso de acidente, serem responsabilizadas por carregar passageiros sem equipamento adequado. Porém, ao que parece não existe uma norma de segurança muito apropriada para viagem com os menores em qualquer outro meio de transporte além do carro e mesmo os ultra seguros aviões deixam muito a desejar nesse quesito. [Leia mais sobre isso no texto “Todos estão seguros, menos os bebês”, do pediatra Daniel Becker aqui].

O fato é que pessoas-com-bebês existem e seguem suas vidas (quase) normalmente, locomovendo-se pelo ar, pela terra e pela água, seja por necessidade, seja por diversão. E é claro que elas querem fazer isso sem sentir que estão colocando em risco a vida de suas crias.

Pensar a respeito fez com que eu me sentisse mal no início do passeio, ainda mais com Aimée assustada e agarrada em mim. Pois é… viajar com bebê tem dessas. Mas no fim, tudo correu bem e nós nos divertimos. O trajeto é curto e a descida para o manguezal e a prainha são bem seguras.

passeio de barco lagoa de guarairas

A primeira parada é pertinho da praia, para ver golfinhos. Acontece que “ver” aqui pode significar qualquer coisa, inclusive nada. Não dá para ir achando que vai encontrar um espetáculo a la SeaWorld; os bichinhos na natureza não são treinados para divertir a gente.

Portanto, contente-se em parar no meio da lagoa, ficar à espreita e levar um susto ao avistar uma barbatana deslizando sobre a água aqui e ali. Mesmo de longe e mostrando apenas o dorso, dá para ver que eles são maiores do que a gente imagina e apesar do nosso coração infantil esperar por um golfinho acrobata, se for pensar bem, é melhor que eles fiquem só de boa na lagoa mesmo.

golfinhos lagoa de guaraíra

A segunda parada é no manguezal. O piloto nos deixa lá contando sobre os benefícios do banho de lama para a saúde. Tudo bem, as pessoas gastam vários reais com cremes faciais, corporais e capilares de lama e argila, mas nenhuma das vantagens que dizem a respeito me animaram a rolar no mangue. Quem sabe no dia em que eu tiver reumatismo… Brincadeiras à parte, as crianças (e os adultos) se divertem e é isso que importa. As fotos também são ótimas, acho até que elas são a principal razão do banho de lama.

banho de lama no mangue lagoa de guarairas

banho de lama no mangue lagoa de guarairas

É interessante observar que o mangue é um ecossistema de transição: do ambiente aquático para o terrestre e do encontro da água do rio com o mar, portanto de água salgada ou salobra; já uma lagoa possui água doce. Então, quando Guaraíras era de fato uma lagoa, não havia manguezal nem a fauna e a flora características desse ecossistema.

O mangue é rico em biodiversidade e se constitui como berço de diversas espécies. Na verdade, grande parte do alimento proveniente da pesca é produzido no mangue. Além disso, comunidades tradicionais mantém uma relação intrínseca com esse ecossistema. [Veja o filme Mulheres do Mangue, produzido em parceria com nosso coletivo Co.inspiração Amazônica, aqui].

Agora pare e pense que toda a paisagem seria diferente se a Lagoa não fosse uma laguna.

lagoa de guaraíras tibau do sul

A última parada é num banco de areia da Lagoa. A prainha que se forma é boa para mergulhar e a vista é bem bonita. Nós percebemos que a maré ia subindo bem rápido, por isso é importante chegar cedo para fazer o passeio, senão a visita a essa praia fica comprometida.

Lá tem barraquinhas que vendem comida e bebida e algumas cadeiras e mesas, mas quase nenhuma proteção contra o sol, o que foi bastante inconveniente, porque já era bem tarde. Nós acabamos voltando antes do fim da estadia na prainha (cerca de 40 minutos), mas achamos que foi o suficiente.

praia da lagoa de guarairas

praia da lagoa de guaraíras

Depois da Lagoa de Guaraíras e do almoço, fomos caminhar pela praia de Tibau do Sul, que é muito bonita, com barreira de pedras e formação de piscinas naturais.

A vantagem dessa praia é que não é preciso descer falésias íngremes para chegar até ela. E apesar do ditado que diz que quanto mais difícil é a subida, melhor é a vista, Tibau do Sul, tão fácil de chegar, é sim uma praia que vale a pena ver.

praia tibau do sul

tibau do sul

tibau do sul

tibau do sul

Fotografia: Alexandra Duarte e Evandro Medeiros

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Se você gostou de conhecer um pouco sobre Tibau do Sul e a Lagoa de Guaraíras, leia também as outras partes dessa viagem:

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Pipa

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Barra do Cunhaú


	

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Pipa

rio grande do norte

O Rio Grande do Norte tem alguns dos lugares mais lindos em que eu já estive.

As praias são maravilhosas, geralmente circundadas por falésias, grandes encostas formadas por camadas sedimentares que tornam a paisagem vista de cima algo de tirar o fôlego.

No município de Tibau do Sul, a 80 km da capital, fica o distrito de Pipa. Na verdade, Pipa é uma praia que recebeu esse nome ainda no século XVI por conta de uma pedra com formato de um tonel, recipiente cilíndrico usado para conservar bebidas como o vinho. Essa pedra, obviamente, ainda está lá e realmente lembra um barril.

Na época da colonização os europeus extraíam da região o pau-brasil e dominaram de tal forma o lugar que seu primeiro nome foi Oratapipy, do tupi “aldeia do homem branco”. Durante séculos a região foi pouco conhecida e explorada pelos brasileiros. Até que por volta de 1970 os surfistas descobriram suas praias e o que então era uma tradicional vila de pescadores, agricultores e artesãos de renda de bilro, cestos de palha e redes de pesca, se tornou um balneário cosmopolita e fervilhante.

praia do amor pipa rio grande do norte

A Praia do Amor é uma das mais bonitas do estado e a nossa preferida em Pipa. Tem uma bela visão panorâmica na descida para a praia, que é bastante extensa e de areia branca. O mar é agitado e tem ondas grandes, portanto é ótima para quem quer surfar, o que não significa que seja ruim para tomar banho. Quem não quer encarar as ondas pode procurar pelas enseadas da praia, reentrâncias onde a água chega macia, deixando o jorro quebrar lá fora.

praia do amor pipa rio grande do norte

Mesmo nos fins de semana, a praia é livre do excesso de gente e da poluição sonora, o que a torna excelente para passeios com bebês e crianças, que podem ficar bem à vontade brincando na areia e na beiradinha do mar.

O único inconveniente é a descida para a praia. Quem anda com bebê sabe que o céu é o limite para o tanto de coisas que a gente carrega. Descer as escadas íngremes das falésias com bebê e infinitos bagulhos não é uma boa ideia. Subi-las, depois de um dia exaustivo de sol e mar, menos ainda. Então o ideal é levar apenas o essencial e deixar a bagulhada baby [piscininha, cadeirinha, etc] para outra ocasião.

praia do amor pipa rio grande do norte

Algo que vale muito a pena é caminhar no final da tarde pela Praia do Amor e aproveitar para ver o pôr do sol. Além da paisagem linda, o lugar é cheio de pontos legais para fotografar: arte ao ar livre, tendas que oferecem aulas de surf, enseadas circundadas por pedras, falésias ao fundo, vista panorâmica e vegetação rica.

praia do amor pipa rio grande do norte

praia do amor pipa rio grande do norte

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praia do amor pipa rio grande do norte

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praia da pipa rio grande do norte

A Praia da Pipa é menor em extensão de areia, tem ondas medianas e é bem mais movimentada que a Praia do Amor. É a praia central, o que é fácil de entender, afinal o distrito cresceu no entorno dela. Não é das mais tranquilas, o que não significa, porém, que o passeio não valha a pena. Recomendo muito uma ida ao final da tarde, para ver o pôr do sol que é lindo de lá.

rio grande do norte praia da pipa

praia da pipa rio grande do norte

Andar por Pipa à noite é muito legal. A vila é toda luzes, cores, cheiros, pessoas e múltiplos idiomas. Mas o melhor para mim é, como sempre, comer. Especialmente se você está com bebê e não restam muitas opções de diversão noturna.

Um dos restaurantes que gostamos muito foi a pizzaria argentina A lo Morón, que serve uma pizza de massa mais grossa e bem simples, mas deliciosa. Nós pedimos os sabores napolitano e calabresa e ambos estavam excelentes. Infelizmente, não provamos as empanadas, outro prato da casa. O ambiente é super agradável, tem uma vista legal e o atendimento é ótimo, as argentinas são muito queridas.

a lo moron pipa rio grande do norte

Outro restaurante de argentinos que adoramos foi o De boca em boca, que serve massas artesanais. Os pratos são individuais e muito saborosos. Embora saia um pouco caro para uma família grande jantar, o valor em si é justo, pois se trata de uma massa feita na hora, com molho caseiro e suave. O local é pequenino e aconchegante e o atendimento é bastante gentil e acolhedor, tal qual uma visita na casa de novos amigos.

Nós também temos de lá uma lembrança muito especial; foi a primeira vez que Aimée disse o significado do nome dela em francês: “a amada”. Isso porque ela costuma fazer sucesso onde chega e no meio daquelas perguntas típicas “que idade ela tem?, qual o nome dela?” acabamos descobrindo que Aimée também existe em mapuche e significa “enviada do céu”. Por um acaso, a moça que nos atendeu [se não me engano o nome dela é Ayelén, que significa “sorriso” em mapuche], tem uma melhor amiga chamada Aimée.

de boca em boca pipa rio grande do norte

Pipa é um lugar maravilhoso, que dá vontade de ficar para sempre. Nós curtimos muito e temos vontade de voltar outras muitas vezes para viver o que não vimos e rever o que já vivemos. 🙂

Nessa viagem, porém, decidimos conhecer outras praias das redondezas. Seguimos para Barra do Cunhaú via Estrada das Falésias, que diga-se de passagem, é uma atração imperdível, e depois para a Praia de Tibau do Sul, onde fizemos um passeio pela Lagoa dos Guaraíras.

Fotografia: Alexandra Duarte e Evandro Medeiros

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Se você curtiu conhecer um pouco desse lugar incrível, veja o restante dessa viagem:

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Praia de Tibau do Sul Lagoa de Guaraíras 

Viajando com bebê: Rio Grande do Norte – Barra do Cunhaú

1 ano da Aimée, festa em casa e elefantinhos

Dia 23 de abril Aimée fez um ano e nós comemoramos com uma festa em casa, só para a família e algumas crianças mais próximas.

pink and gold party

Eu adoro fazer festinha, reunir pessoas íntimas, pensar um tema, fazer trabalhos manuais, montar mesa. Não passo aniversário em branco nunca e sempre dou um jeito de tornar o evento uma forma de por as minhas mãos para trabalhar criando coisas! Hahaha

festa elefantinho rosa e dourado

Fazer uma festa de elefantinho não foi uma escolha aleatória, elefantinho foi o “tema” do primeiro ano de vida da Aimée. A gente percebeu que ela tinha um monte de coisas do bichinho e isso virou tão a cara dela que todo mundo quis dar elefantinhos de presente.

Uma dica para quem quer criar uma decoração personalizada e não sabe por onde começar é buscar uma ilustração como ponto de partida, assim fica bem mais fácil fazer “personalizados” para uma festa em casa. Com essa ilustração de elefantinho eu precisei acrescentar apenas o nome e a idade da aniversariante – usando o aplicativo Canva –  e com ela fiz os convites e três decorações de mesa.

Fizemos uma festinha bem simples e caseira, mas eu adorei o resultado de tudo. Acho que a combinação de rosa com dourado é muito bonita, iluminada, festiva.

festa elefantinho

Além disso, não usei tudo no mesmo tom de rosa e acho que isso contribuiu para um resultado que não é monótono.  Já as paredes brancas de casa me ajudaram a não ter trabalho com painel. 😀

festa em casafesta em casa

Nós decidimos fazer uma festa pequena em casa porque Aimée dorme cedo e poderia ficar estressada com um ambiente tumultuado, num evento mais longo. Na verdade, muita gente acha bobagem fazer festa para bebês porque eles se estressam e, de qualquer forma, eles não vão lembrar de nada no futuro. Mas comemoração não é só de quem faz aniversário, é de quem vive junto e quando se trata do primeiro ano de vida do nosso bebê, que é um período tão intenso e que passa tão rápido, a gente merece mesmo comemorar. Afinal, isso não é nada mais do que a celebração de uma nova vida e de um ano inteirinho do nosso amor.